Bispo católico diz que ser homossexual é um dom dado por Deus

Ainda repercute e tem provocado muita polêmica as palavras de Dom Antônio Carlos Cruz, bispo da Diocese de Caicó, município do interior do Rio Grande do Norte, e ditas no final de semana passada na igreja matriz local. Durante a homilia do encerramento da Festa de Sant’Ana, padroeira da cidade, o bispo afirmou que a homossexualidade era um dom dado por Deus.

“O evangelho, por excelência, é evangelho da inclusão. O evangelho é porta estreita, sim, e o amor exigente. Mas é uma porta sempre aberta. Deus nunca fecha a porta para ninguém. Por isso, talvez, seria momento de assim que fomos capazes de dar um salto da sabedoria do evangelho, vencer a escravidão, não está na hora de a gente dar um salto da perspectiva da fé e superar preconceitos contra nossos irmãos homo afetivos?”, pergunta o bispo, para introduzir seu pensamento.

“Pensemos, por exemplo, na perspectiva da fé, quando a gente olha para a perspectiva da homossexualidade, a gente não pode dizer que é opção. Opção é alguma coisa que livremente você escolhe. E orientação ninguém escolhe. Um dia a pessoa se descobre com esta ou aquela orientação. Escolha será a maneira como você vai viver sua orientação. Se de uma forma digna, ética ou de uma forma promiscua. Mas promiscuidade pode se viver em qualquer uma das orientações que se tem”, prosseguiu.

“Então, já que não é escolha, já que não é opção, já que a Organização Mundial da Saúde, desde a década de 90 não considera mais como doença, na perspectiva da fé nós só temos uma resposta: se não é escolha, se não é doença, na perspectiva da fé só pode ser um dom. É dado por Deus. Mas, talvez, os nossos preconceitos não consigam o dom de Deus”, concluiu, recebendo tímido aplauso dos fiéis presentes.

O carioca Antônio Carlos Cruz foi nomeado bispo pelo Papa Francisco em fevereiro de 2014, assumindo a Diocese de Caicó em maio daquele ano. Na Igreja Católica é visto como membro da chamada ala progressista. Neste ano, em consonância com os bispos de Natal e Mossoró, apoiou o movimento de greve geral do dia 28 de abril, que criticava as reformas Trabalhista e da Previdência, mas embutia a mensagem política do “fora Temer”. Inclusive, colégios particulares católicos aderiram à greve, o que gerou insatisfação em parte dos pais dos alunos.

O propósito desta postagem não é a de endossar e muito menos discordar da homilia de Dom Antônio Carlos. Não entramos no terreno da doutrina religiosa. A observação que se faz aqui é sobre a influência que a esquerda tem no catolicismo brasileiro, através da CNBB e, em muitos casos, oriunda da chamada Teologia da Libertação, na década de 70. E que tem como expoentes no Brasil Leonardo Boff e Frei Betto. A infiltração de movimentos sociais e partidos políticos – o PT é um exemplo – na Igreja Católica é vista como um dos motivos para o afastamento dos fiéis nas últimas décadas.

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